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Falta de informação e burocracia são entraves para empresas exportadoras brasileiras


Data: 1 de novembro de 2018
Crédito: Coordenadoria de Comunicação e Eventos do Sistema FIEMA
Fotos: COCEV FIEMA

SÃO LUÍS - O mundo tem uma expectativa enorme sobre a capacidade do Brasil em liderar a produção de alimentos no planeta. Em quatro décadas, o país passou de grande importador para o segundo maior exportador mundial, produzindo quatro vezes mais alimentos do que o necessário para atender toda a população brasileira. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) quer aumentar a participação do Brasil nas exportações mundiais de alimentos de 7% para 10%, em cinco anos.

 

Na corrida mundial para produção de alimentos, o Brasil larga na frente. O país ocupa a quinta colocação em extensão territorial no mundo, e tem uma estimativa de área plantada de 79 milhões de hectares, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com enorme potencial para expansão. O Brasil, hoje, é o 2º maior exportador de alimentos do mundo, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

 

Mas exportar alimentos e bebidas não é uma atividade muito simples. É fundamental que os empresários adotem sistemas de segurança que atendam o comércio internacional, haja vista às doenças e aos danos provocados por alimentos são, na melhor das hipóteses, desagradáveis e na pior, fatais.

 

“Dentro desse cenário, os empresários precisam estar cientes das obrigatoriedades descritas nas legislações de países como os Estados Unidos e da União Europeia. Temos a responsabilidade e a obrigação de nos adequarmos a elas. Como consultora, viajamos pelo Brasil, trazendo o conhecimento dos primeiros passos que o empresário precisa dar rumo a exportação”, destaca a consultora, Alessandra Calzolari, graduada em Engenharia de Alimentos com Pós-Graduação em Gestão da Qualidade, especialista em Química, que atua na área industrial há 19 anos, com experiência em processos produtivos e qualidade de produtos e serviços.   

 

“O empresário deve primeiramente atender as legislações nacionais, e depois procurar investir numa certificação para que se posicione no mercado internacional. Existe uma padronização de produtos, onde a qualidade e as adequações às legislações devem ser padronizadas. A falta de informação e a burocracia também atrapalham um pouco, para que a empresa busque a certificação nacional e um registro internacional. Estamos falando de um processo que pode durar de 3 a 6 meses”, ressalta Calzolari, enfatizando que uma redução de impostos, como o ICMS, e a presença de uma indústria de rótulos e embalagens facilitariam o acesso aos insumos, o que aumentaria a produção nacional e isto poderia facilitar o processo de exportação”.

 

Segundo a especialista, produtos como café, frutas e a soja estão hoje em destaque no mercado externo. Pouca gente sabe, mas o Maranhão exporta produtos para mais de 30 países no mundo. Países de primeiro mundo e com economia pujante. Espanha, China, Índia, Suécia, Japão e Marrocos estão na lista.

 

Na lista de alimentos exportados estão carnes bovinas congeladas, soja, milho, óleo de côco de babaçu e óleo de soja. De acordo com dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), as empresas maranhenses exportaram em 2017 cerca de US$ 3,03 bilhões, o que representou um crescimento de 37,2% em relação ao ano anterior, e correspondeu a 1.39% das exportações brasileiras.

 

Nesse período, as cidades que mais exportaram no Estado foram São Luís (43,29%), Imperatriz (18,30%) e Balsas (13,91%). Os principais destinos das exportações maranhenses foram o Canadá (22% - US$ 685 milhões), a China (21,28% - US$ 645 milhões), os Estados Unidos (15,88% - US$ 482 milhões) e a Espanha (5,54% - US$ 168 milhões).

 

DA SOJA A PIMENTA - Para o supervisor de operações da empresa ALZ Grãos, Natanael Pinheiro, que trabalha com a exportação de soja e milho do Maranhão e Bahia para o continente asiático, os problemas ainda são de infraestrutura.

 

“Nossa expectativa é atingir em 2018, dois milhões de toneladas exportadas. Ainda temos uma estrutura limitada, com a utilização de apenas um berço, no Porto do Itaqui. Esperamos, em 2019, com a expansão do Terminal de Grãos do Maranhão (TEGRAM - 2ª fase), dobrar a capacidade de operação,” destacou Pinheiro.

 

A empresária maranhense Ana Paula Grolli, da geleia Sabor da Ilha, já desenvolveu uma nova marca e um portfólio para iniciar o trabalho no mercado externo. “Participamos esse ano de algumas feiras internacionais no Canadá, Chile, França, Estados Unidos e a aceitação foi muito boa. Todas as capacitações são importantes para que possamos entender esse processo da exportação. Criamos uma nova marca, a Gaya, que remete aos produtos feitos na Amazônia e no Brasil, exclusivamente para atender essa demanda internacional. Nosso maior entrave ainda é o financeiro, pois o investimento é alto, e tem a questão da legislação de cada país e a rotulagem”, enfatiza a empresária maranhense, que produz hoje mais de 20 mil potes de geleia de frutas naturais, como cupuaçu, bacuri, murici, açaí dentre outras.

 

O nissei Takamori Froes, empresário da Nippon Pimentas, de Cedral, interior do Maranhão, possui uma empresa familiar de fabricação de pimentas em conserva e hoje atende o mercado de São Luís com um mix de pimentas que vão da tradicional malagueta até  as mais exóticas como pimenta cumari e jalapeño. “Nossa produção é de 500 mil frascos. Nosso diferencial são os sabores das pimentas em conserva com leite de coco, azeite de coco, tucupi, oliva e limão. Estamos iniciando a produção e quem sabe possamos iniciar um processo de exportação em um futuro breve,” disse Froes.

 

AVANÇOS - Em 1998, o Brasil tinha pouco menos de 19 mil empresas exportadoras. Passados 20 anos, o número de empresas brasileiras negociando com mercados internacionais saltou para 25,4 mil em 2017, crescimento de 60%. Analisando por faixa de valor exportado, o maior crescimento foi observado no número de empresas que venderam entre US$ 10 milhões e US$ 50 milhões: eram 611 em 1998 e chegaram a 1.373 em 2017, aumento de 124%. O levantamento é da Rede de Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN), uma das principais instituições de apoio à internacionalização de empresas no Brasil, coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), presente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.

 

“Nossa meta é que as empresas vejam o comércio exterior como uma estratégia de competitividade e sustentabilidade dos negócios. Sabemos que, se não houvesse outros entraves, como barreiras comerciais, burocracia e financiamento adequado, esse número teria crescido ainda mais", afirma Edilson Baldez das Neves, presidente da FIEMA.

 

A importância do tema não se restringe ao caixa das empresas, mas impacta a economia do país. Nos últimos períodos de recessão - 2001 a 2002, 2008 a 2009, 2014 a 2017 - todos os indicadores macroeconômicos do Brasil, como PIB, inflação e desemprego, pioraram. Só o comércio exterior cresceu nesse período, impulsionado pelo agronegócio.

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