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Diretor do Centro de Lançamento de Alcântara aborda acordo Brasil e EUA na FIEMA


Data: 3 de abril de 2019
Crédito: Coordenadoria de Comunicação e Eventos do Sistema FIEMA
Fotos: Veruska Oliveira - COCEV FIEMA

SÃO LUÍS -  O coronel Aviador Marco Antônio Carnevale Coelho, Diretor do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) apresentou na tarde da última quinta-feira (28/03) na Casa da Indústria as principais ações, projetos e atividades do CLA.

 

A ação partiu do vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) e presidente do Conselho Temático de Infraestrutura e Obras da entidade (CTINFRA), José Ribamar Barbosa Belo devido a quantidade de “desinformação” em torno do acordo que o Brasil e os Estados Unidos firmaram para permitir o lançamento de foguetes e satélites a partir da base de Alcântara.

 

Antes de abordar o status quo do acordo, Carnevale fez um panorama do cenário aeroespacial mundial e a situação do Brasil nesse contexto.

 

“O CLA já possui um amplo leque de sistemas e serviços capazes de atender com o Veículo Lançador de Microssatélites as tendências do “new space”, no que tange a lançamento de satélites de pequeno porte e com mais frequência, um nicho de mercado muito favorável à exploração pelo Brasil. Temos recebido diversas empresas interessadas em se valerem das condições excepcionais de Alcântara. Acreditamos, assim, que tão logo esses aperfeiçoamentos sejam feitos e tenhamos o arcabouço legal definido, poderemos partir para a negociação concreta da exploração comercial”, destacou o comandante.

 

Sobre o momento atual dessa possível parceria com os Estados Unidos, Carnavale ressaltou que é uma grande oportunidade do próprio Estado se tornar uma locomotiva para o que ele acredita ser de melhor para a ciência e a tecnologia brasileira. “Estamos com um ativo muito grande que é o Centro e uma estrutura pronta e agora, assinado esse acordo, entraremos num player global de atendimento em cadeia mundial”.

 

TRÍADE – O comandante comparou a indústria aeroespacial como um iceberg, onde se vê apenas a ponta do iceberg, no caso o lançador e a carga útil, mas a robustez e o envolvimento está submerso. “A indústria aeroespacial é uma oportunidade para toda a região nordeste se inserir nesse nível global de progresso. Acho que essa reunião é importante porque toda essa indústria segue a orientação da aeronáutica para fazer tecnologia e inovação. Conseguimos esse modelo de negócio em São José dos Campos –SP, agregando a indústria, o governo e a academia e estamos trazendo para o Maranhão esse modelo”.

 

Carnevale disse na reunião que não existe risco para a soberania do país. “O Brasil manterá o controle da base e destacou que o acordo não permite atividades militares de outros países ou empresas estrangeiras. O Brasil controla o centro de lançamento como um todo. Tanto as operações, quanto o acesso a qualquer parte do CLA.

 

O acordo permite que o Brasil lance, a partir da base, foguetes e satélites que contem com material fabricado por americanos e determina, em troca, a proteção dessa propriedade intelectual.O acordo foi assinado no último dia 18, durante a viagem do presidente Jair Bolsonaro a Washington. Pelo acordo, fica permitido o uso comercial da base.Na prática, o acordo permite aos Estados Unidos o lançamento de foguetes e de satélites da base. E o território onde a base está localizada permanece sob jurisdição do governo brasileiro.

 

"O acordo não ameaça a soberania nacional. Não é a construção de uma base norte-americana, só brasileiros continuarão controlando a base. O Brasil controla o centro de lançamentos como um todo. Não cedemos nenhuma parte do território nacional nem autorizamos os EUA a lançarem o que quiserem", declarou o ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes em audiência conjunta da Comissão de Relações Exteriores (CRE) e da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), em Brasília.

 

Carnevale explicou que a assinatura deste acordo com os EUA é fundamental para viabilizar o uso comercial da Base de Alcântara, pois 80% dos satélites lançados no mundo utilizam pelo menos algum componente norte-americano. Acrescentou por fim que os EUA já assinaram acordos de teor semelhante com Rússia, China, Ucrânia e Índia, e que o Brasil já iniciou tratativas com o Japão visando um outro acordo de salvaguardas.A Base de Alcântara é o melhor lugar do mundo para lançamento de satélites, pois devido à sua localização próxima à Linha do Equador e outros aspectos geofísicos, permite uma economia de até 30% em combustíveis.

 

QUILOMBOLAS – Ainda na reunião, que foi organizada pelo Conselho Temático de Infraestrutura e Obras da FIEMA, o comandante fez questão de destacar que 90% da mão de obra local da Base de Alcântara hoje é formada por pessoas da comunidade quilombola e que a sociedade precisa acreditar que esse acordo pode mudar a realidade do Estado para melhor, tanto na educação, na geração de renda e no turismo.

 

O vice-prefeito de Alcântara, Sgt. Leitão destacou a importância da reunião promovida pela FIEMA. “ Tivemos um melhor esclarecimento sobre o que é esse acordo com o Centro de Lançamento de Alcântara. É um acordo tecnológico e que abre o Brasil para todos os países que usam a tecnologia americana e não só os Estados Unidos. Nós moramos em Alcântara e representamos o povo da cidade e isso aumenta a nossa esperança e esperamos que os colegas deputados e senadores ajudem a aprovar esse acordo, porque com a chegada de empresas e empregos se terá mais oportunidade para a comunidade e para o comércio local. Esperamos que esse nosso sonho agora se concretize!”, destacou o vice-prefeito. 

 

NEGÓCIO – Carnevale pediu o apoio da FIEMA para que sensibilize a bancada maranhense no  Congresso Nacional para priorizar a aprovação do acordo, pelas divisas que devem gerar ao país. Numa projeção inicial, o Brasil pode entrar e ganhar 1% do mercado de lançamento de satélites, isso implicaria no faturamento de U$ 3,5 bilhões anual. E como esse mercado não para de crescer, o país poderá estar faturando U$ 10 bilhões por ano em 2040. A cadeia de negócio aeroespacial no mundo em 2019, gira em torno de U$ 370 bilhões de dólares.

 

O vice-presidente da FIEMA e presidente do CTINFRA, Zeca Belo destacou que irá formalizar um oficio para todos os deputados federais e senadores maranhenses solicitando o apoio na assinatura do acordo.“A reunião foi importante e esclarecedora. Acho que Alcântara é a bola da vez e não podemos esperar mais 20 anos para de fato o programa aeroespacial brasileiro decolar!”, enfatizou Zeca Belo.

 

Para o presidente da FIEMA, Edilson Baldez, que também participou da reunião o momento é de unir forças e promover o desenvolvimento do Estado. “Não podemos perder a chance de concretizar e inserir a Base de Alcântara, o Maranhão e o Brasil no cenário aeroespacial mundial!”, finalizou o líder empresarial.

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